sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Grr!

Andei a fazer exames, análises, ecografias e nada...

Mandaram-me acordar a meio do meu sono de beleza, ficar em jejum, depositar o meu "alívio da manhã" numa garrafa de plástico, beber líquidos com sabor a limão estragado, tirar duas doses de sangue fresquinho e esperar duas horas numa entediante sala de espera... Tudo em vão.

Era suposto saberem o que se passa! Eles é que são os médicos! Mas, em vez de porem as cabecinhas grisalhas a pensar, não, obrigam-me a andar de clínica em clínica, com um saco na mão carregado de papéis rascunhados e de envelopes com películas "a negativo" dentro.


Hoje de manhã, bem de manhã, segui outra vez numa das grandes desventuras.


Um cheiro a químicos num dos compartimentos da "sala branca" invadiu o meu oxigénio. Um odor completamente penetrante! Um "Holter" foi o que me levou lá (um exame para verificar o meu ritmo cardíaco durante umas belas 24 horas).

Deixaram-me um recado: NÃO PODES UTILIZAR O TELEMÓVEL ATÉ TIRARES O APARELHO. (grr, pensei.)

Ao abandonar o edifício, olhares de desconhecidos analisavam o meu peito coberto de "fita-cola" e de fios pretos, e uma bolsa cúbica agarrada à minha cintura.

Na rua, nas lojas ou no super-mercado, fui alvo de... de chacota não digo, mas, se se pudessem ver os pensamentos de cada um, estes seriam uns vermelhos, gordos e bem visíveis pontos de interrogação.

Para conseguirem imaginar bem a minha pessoa, imaginem alguém que estivera internado uns tempos e que fugiu do hospital, levando toda a aparelhagem atrás de si.


Isto arranha, não me deixa tomar banho e é desconfortável! Quero tirar isto de mim!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sorrir.

Gosto de sorrir.

Gosto de aproveitar o maior prazer da vida: arrepanhar os cantos da boca, mostrar todos os dentes que tenho, impulsionar as bochechas rosadas contra os olhos, mostrar o brilho intenso que reflecte a imagem do momento, soltar um som destemido; sorrir.

Sorrio imenso ultimamente. Faço sorrir, muitas vezes. Sabe bem ver a expressão que nos responde àquele singelo movimento. Completa-me, o receber de volta o gesto universal de quem me observa de longe.

Por vezes sem motivo aparente ou em momentos até mesmo inoportunos, o sorriso e o riso apoderam-se de mim, ficando presos e contagiando quem me olha, quem me ama.

Porém, não gosto de sorrisos forçados, de sorrisos por sorrir, por apenas ficar bem. Se é para sorrir, que se faça com gosto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sem saber, sabendo.

Algo se passou...

Alguma coisa surgiu naquele preciso momento...

Talvez uma quebra no tempo provocada por um relógio partido pelo cansaço...

Ou uma árvore tombada por um suspiro provindo de um corpo oco e sabido...

Poderia também ter sido um ressonante estoiro de alegria e satisfação, causado pela euforia da gente nova...

Fosse o que fosse, fez-se sentir, em mim, ribombando no meu Eu...


Só mais tarde percebi... Foi saudade, aquilo que senti...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mais um ano...

Mais um ano de loucuras, choradeiras, risadas, mergulhos, nervos, energia, alegria...

Mais um ano de mim...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O maior Mistério...

Ouvi há tempos... "A Vida é uma viagem perpétua...".

Será?

Será o Nascimento o nosso começo? Será a nossa Morte o nosso fim?

Nunca se vive em pleno... Passa-se pela Vida... Viaja-se, vai-se pousando em acontecimentos, tornando-os importantes, inúteis, indispensáveis, substituíveis...

O que nos guardará a Vida? O que nos espera o Amanhã? Estará o Destino já traçado ou seremos nós que o compomos à medida que vamos "vivendo", passando pela Vida?



Não há maior mistério que o mistério de ser gente...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Imperfeita perfeição.

Tal como o brilhante sol no céu encoberto ou o barco no mar naufragado...

Tal como o saboroso insípido almoço ou o sonho nunca realizado...

Tal como saber a notícia nunca revelada ou dizer a palavra nunca antes pronunciada...


Tal como eu...

Como o Mundo.


Tal como um sono profundo num chão empedrado ou a mortífera sede da constante vitória...

Tal como o Mundo...


Tal como a morte numa vida de glória.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ao tocar no céu.

Ao tocar no céu sinto o limite, o máximo do fim, a barreira intransponível, o inalcançável novo mundo.


Tanto se diz do fim, do findar do começo, do escuro desconhecido, da imaginação encoberta.


Ao tocar o céu bate o coração, desespera a calma, enfurece a paz.


Tanto se pode dizer tormenta, da agonia, do suspenso, do que não vem.


Ao chegar ao céu sei que cheguei, sem notar que cheguei, chegando ao que queria chegar, descuidando a chegada e, ainda assim, esperando a infinita viagem.



Ao tocar no céu sei o que sou.