quinta-feira, 14 de outubro de 2010

É meu dever, é nossa obrigação.

Proponho-me a grandes conquistas, a grandes feitos.

Sou ao que chamam "ambiciosa".

Não tenho noção dos limites por estar convicta de que eles realmente não existem.

Procuro a perfeição, apesar de estar cada vez mais distante do meu ideal.

Gosto de dar o máximo, de me esfalfar, de desafiar as minhas próprias capacidades.


Nada disto faço por conveniência. Faço-o como entretém. Dá-me puro gozo, divirto-me com as inúmeras vezes que falho por tão longe estar do pretendido.

Aplico a Minha Filosofia ao meu jeito. Corroboro-a com os meus resultados de vida. Divirjo-a com as minhas patéticas experiências.


Não quero chegar ao céu... Quero tocar no céu. É o meu dever, é a nossa obrigação.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sem alma... Sem estofo...

Ao imaginar uma montanha russa, um ioiô ou a minha disposição, a imagem obtida é exactamente a mesma.

De pés assentes, a desafiar a gravidade, em baixo, lá no alto, inconstante. Sinto-me assim. Instável.

Tenho a impressão de que não posso confiar em mim própria, nos meus pensamentos ou sentidos. Julgo-me equilibrada e confiante, mas, no entanto, sou um elefante cinzento numa corda bamba.

Deve ser do tempo, da chuva que cai e me diz para ficar em casa, enrolada nos acolhedores lençóis de riscas brancas e rosa-claras... Se não for, não sei do que será; não encontro explicação.

sábado, 2 de outubro de 2010

'Dedica-te à Vida'

Quero esquecer tudo... Quero ter a certeza de que nada aconteceu... Quero estabilidade na minha alma...

O coração batia tão depressa, as mãos tremiam e suavam, os olhos espelhavam o forte sentimento... Mas, como já devia saber, a distância impede o batimento de se manter constante, segura as palmas desassossegadas, apaga a luz que vem de dentro...

Sou uma tola, bastante ingénua, uma estúpida nata por não me ter lembrado disto a tempo... Impediria tantos acontecimentos fortemente (in)desejados... Impediria de me fazer sofrer.

Vi as horas passarem, senti os dias findarem, presenciei as escassas semanas a escaparem ao meu controlo. Contudo, não vi mensagens de agrado a cada hora, não senti calorosas despedidas a cada dia, não presenciei alegria nem entusiasmo a cada sete dias que contava...

Talvez não merecesse tal coisa, provavelmente não seria a dona de tais aconchegos...


Quero segurança no meu Sol. Quero confiar na minha Gravidade. Quero abarcar o meu Mundo. Quero vivenciar o meu Momento, a minha Oferta.

P.S.: Para além de tudo isto, o que me faz mesmo falta agora é um abraço apertado para chorar tudo o que carrego...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Whatever...

Estou nem sei bem como.

Sinto-me que nem consigo descrever.

Gasto-me mais depressa que tudo.

Penso de forma impensável.

Sou forte como uma esponja.

Nasci fraca como um estrondo.

Aprendi não sei porquê.

Ignorei algo que me falta.

Reti o que não devia.

Gosto do que não existe.

Cresci sobre algo incerto.

Sonho com o que não virá.

Corro já sem fôlego.

Espero o que mais amo.

Salto tanto quanto me enterro.

Sobrevivo ao que me mata.

Descomprimo o que não tenho.

Solto o que não chego a apanhar.

Grito a agonia que não me pertence.



Escrevo do que não conheço.

sábado, 11 de setembro de 2010

Tão perto, mas tão longe...

Estou longe e não posso... Faria tudo para ficar por perto; para ser constante e não casual...

Gostaria de poder presenciar cada momento, de deixar o mundo virtual e receber a realidade... Mas não me soltam, não me dão o empurrão que peço encarecidamente...

Seria bom estar lá. Seria bom, se deixassem...

Agora que faz parte de mim, não podem tirar nem proibir. Agora, agora têm de oferecer. Assim, seremos todos mais felizes, mais ágeis ao que virá...

É novo, ainda está pintado de fresco, mas não podem impedir que seque, que amadureça...

É diferente, é novidade. De início custa, se não for o vosso hábito, mas, com o passar do tempo, adaptar-se-ão ao novo caminho.


...mas, bloquear a passagem, nunca poderão...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Grr!

Andei a fazer exames, análises, ecografias e nada...

Mandaram-me acordar a meio do meu sono de beleza, ficar em jejum, depositar o meu "alívio da manhã" numa garrafa de plástico, beber líquidos com sabor a limão estragado, tirar duas doses de sangue fresquinho e esperar duas horas numa entediante sala de espera... Tudo em vão.

Era suposto saberem o que se passa! Eles é que são os médicos! Mas, em vez de porem as cabecinhas grisalhas a pensar, não, obrigam-me a andar de clínica em clínica, com um saco na mão carregado de papéis rascunhados e de envelopes com películas "a negativo" dentro.


Hoje de manhã, bem de manhã, segui outra vez numa das grandes desventuras.


Um cheiro a químicos num dos compartimentos da "sala branca" invadiu o meu oxigénio. Um odor completamente penetrante! Um "Holter" foi o que me levou lá (um exame para verificar o meu ritmo cardíaco durante umas belas 24 horas).

Deixaram-me um recado: NÃO PODES UTILIZAR O TELEMÓVEL ATÉ TIRARES O APARELHO. (grr, pensei.)

Ao abandonar o edifício, olhares de desconhecidos analisavam o meu peito coberto de "fita-cola" e de fios pretos, e uma bolsa cúbica agarrada à minha cintura.

Na rua, nas lojas ou no super-mercado, fui alvo de... de chacota não digo, mas, se se pudessem ver os pensamentos de cada um, estes seriam uns vermelhos, gordos e bem visíveis pontos de interrogação.

Para conseguirem imaginar bem a minha pessoa, imaginem alguém que estivera internado uns tempos e que fugiu do hospital, levando toda a aparelhagem atrás de si.


Isto arranha, não me deixa tomar banho e é desconfortável! Quero tirar isto de mim!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sorrir.

Gosto de sorrir.

Gosto de aproveitar o maior prazer da vida: arrepanhar os cantos da boca, mostrar todos os dentes que tenho, impulsionar as bochechas rosadas contra os olhos, mostrar o brilho intenso que reflecte a imagem do momento, soltar um som destemido; sorrir.

Sorrio imenso ultimamente. Faço sorrir, muitas vezes. Sabe bem ver a expressão que nos responde àquele singelo movimento. Completa-me, o receber de volta o gesto universal de quem me observa de longe.

Por vezes sem motivo aparente ou em momentos até mesmo inoportunos, o sorriso e o riso apoderam-se de mim, ficando presos e contagiando quem me olha, quem me ama.

Porém, não gosto de sorrisos forçados, de sorrisos por sorrir, por apenas ficar bem. Se é para sorrir, que se faça com gosto.