segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um esboço inacabado

Sem ti sou um corpo deambulando na vida;
Sou alma perdida no rio;
Sou projecto de essência;
Sou tentativa fracassada.

Com a tua ausência torno-me rude;
Torno-me escassa;
Torno-me a sonâmbula do mundo que me rodeia.


Contigo passo a existir;
Passo a acreditar;
Passo a ser um alguém com sentido e significado;
Passo a viver.

Sentindo-te comigo, apareço com nitidez;
Apareço como borrão destingido;
Apareço junto de quem me acolhe;
Apareço feliz.


"Semtigo" sou apenas um esboço. Um esboço inacabado e esquecido.

sábado, 6 de novembro de 2010

Conquista.

É necessária a luta, as horas perdidas de esforço, as noites mal passadas, a angústia sofrida, o desgaste psicológico... Tudo é necessário para a conquista, para qualquer tipo de conquista.

Quem conquista, conquista a valer: não conquista por conquistar nem por apenas ter algo conquistado; ter feito uma conquista.

Por conquistarmos o que pretendemos, merecemos consideração, respeito por aquilo que conquistámos.

Já que é feito com intenção (se não fosse, não teria sido, de modo algum, conquistado), devemos prolongar a sensação de conquista, reservar todas essas forças para que, quando mais tarde voltarmos a precisar, possamos reutilizá-las ou até reciclá-las, torná-las substância palpável, indícios das nossas próprias conquistas.

Para que a sintamos a longo prazo, temos de lhe fazer a manutenção: limpar o pó, retirar as teias de aranha, regar-lhe as raízes, arejá-la. Sobretudo, temos de revivê-la, partilhá-la, amá-la...

...pois quem não ama a sua conquista, então não conquistou nada.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sonho sonhado...

Sonho contigo... Em vão... Em vão, talvez não...

...Todas as noites me assombras, me sussurras ao ouvido e pedes para entrar...

...Inconscientemente te dou permissão. Sei que não forças a entrada, tenho completa certeza...


(Ajolaste-te no meu coração há muito tempo e nunca mais estiveste pronto para me abandonar... Nunca me gritaste "Por favor, deixa-me sair!"; tantas coisas dizeste, sempre me fazendo ver que, o que realmente querias, era exactamente o oposto...

Nunca deste credibilidade às tuas palavras nem às tuas ideias de felicidade forçadas... Eu sei-o. Eu conheço-te. Conheço-nos.

Sinto a falta do que, segundo a tua pessoa, perdi para sempre...

Fazes-me falta para construir a minha essência. Necessito-te para escrever o nosso desenvolvimento (já apontei o nosso começo, já delineámos o nosso fim)...

Estás confortável assim. Eu entendo. Estou confortável também (cada vez o estou menos, mas enfim). Mas eu NÃO QUERO estar confortável! Quero viver! Quero amar sem dar importância às montanhas que teremos de escalar, às lágrimas que acabaremos por derramar, às palavras mal-ditas e impensadas, às rasteiras/ratoeiras que encontraremos no caminho, aos gritos que te darei para te acordar, aos incontáveis avisos que terás de me dar para que eu cresça... A tudo aquilo que nos está, neste momento, a impedir de agir correctamente...)


... e então, "sonambuleias-te" no meu repouso, confortas-me e fazes-me feliz...


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

É meu dever, é nossa obrigação.

Proponho-me a grandes conquistas, a grandes feitos.

Sou ao que chamam "ambiciosa".

Não tenho noção dos limites por estar convicta de que eles realmente não existem.

Procuro a perfeição, apesar de estar cada vez mais distante do meu ideal.

Gosto de dar o máximo, de me esfalfar, de desafiar as minhas próprias capacidades.


Nada disto faço por conveniência. Faço-o como entretém. Dá-me puro gozo, divirto-me com as inúmeras vezes que falho por tão longe estar do pretendido.

Aplico a Minha Filosofia ao meu jeito. Corroboro-a com os meus resultados de vida. Divirjo-a com as minhas patéticas experiências.


Não quero chegar ao céu... Quero tocar no céu. É o meu dever, é a nossa obrigação.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sem alma... Sem estofo...

Ao imaginar uma montanha russa, um ioiô ou a minha disposição, a imagem obtida é exactamente a mesma.

De pés assentes, a desafiar a gravidade, em baixo, lá no alto, inconstante. Sinto-me assim. Instável.

Tenho a impressão de que não posso confiar em mim própria, nos meus pensamentos ou sentidos. Julgo-me equilibrada e confiante, mas, no entanto, sou um elefante cinzento numa corda bamba.

Deve ser do tempo, da chuva que cai e me diz para ficar em casa, enrolada nos acolhedores lençóis de riscas brancas e rosa-claras... Se não for, não sei do que será; não encontro explicação.

sábado, 2 de outubro de 2010

'Dedica-te à Vida'

Quero esquecer tudo... Quero ter a certeza de que nada aconteceu... Quero estabilidade na minha alma...

O coração batia tão depressa, as mãos tremiam e suavam, os olhos espelhavam o forte sentimento... Mas, como já devia saber, a distância impede o batimento de se manter constante, segura as palmas desassossegadas, apaga a luz que vem de dentro...

Sou uma tola, bastante ingénua, uma estúpida nata por não me ter lembrado disto a tempo... Impediria tantos acontecimentos fortemente (in)desejados... Impediria de me fazer sofrer.

Vi as horas passarem, senti os dias findarem, presenciei as escassas semanas a escaparem ao meu controlo. Contudo, não vi mensagens de agrado a cada hora, não senti calorosas despedidas a cada dia, não presenciei alegria nem entusiasmo a cada sete dias que contava...

Talvez não merecesse tal coisa, provavelmente não seria a dona de tais aconchegos...


Quero segurança no meu Sol. Quero confiar na minha Gravidade. Quero abarcar o meu Mundo. Quero vivenciar o meu Momento, a minha Oferta.

P.S.: Para além de tudo isto, o que me faz mesmo falta agora é um abraço apertado para chorar tudo o que carrego...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Whatever...

Estou nem sei bem como.

Sinto-me que nem consigo descrever.

Gasto-me mais depressa que tudo.

Penso de forma impensável.

Sou forte como uma esponja.

Nasci fraca como um estrondo.

Aprendi não sei porquê.

Ignorei algo que me falta.

Reti o que não devia.

Gosto do que não existe.

Cresci sobre algo incerto.

Sonho com o que não virá.

Corro já sem fôlego.

Espero o que mais amo.

Salto tanto quanto me enterro.

Sobrevivo ao que me mata.

Descomprimo o que não tenho.

Solto o que não chego a apanhar.

Grito a agonia que não me pertence.



Escrevo do que não conheço.