terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Não digam que escrevo bem. Isto sim... É poesia pura...

Metade
Oswaldo Montenegro

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

When spring comes sooner...

Às vezes estamos no fundo do poço, perdidos no mapa ou sós na solidão... Há ocasiões em que não temos força nem razão; noutras, o sol decidiu não nos brilhar...

Mas nada como uma Primavera antecipada, um raiar prematuro, um florir precoce...

Sabe tão bem um calorzinho quando o coração deixa de se ouvir...


Obrigada, Primavera, vieste na altura certa...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Não deixa bilhete, não...

A escuridão não avisa nem prepara,
Ataca sem piedade.

Ninguém a espera e aceita,
Conforma-se com ela.

Traz amargura e desespero,
Não deixa abraço apertado.

Suportamo-la com dor e a medo,
Longe de força e coragem.

Todos se unem,
Muitos se vão.

Ela vem e não deixa bilhete.
Não o deixa mesmo, não...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sem razão de Vida...

A Vida foi passando, de mãos dadas comigo, sorrindo e amparando-me quando necessário...

A Vida não me abandonou nunca, não me rasteirou por malícia, nem falou mal de mim quando isso lhe era admitido; nunca o fez por existir de facto, por eu lhe ter atribuído uma razão, lhe delineado um fim...

A todo o momento me senti acompanhada e consegui manter tudo o que me era imprescindível... Mas, agora, agora fugiu-me tudo num ápice, por minha culpa e por culpa da puta minha Vida. Abandonou-me, sacudiu as mãos e deixou-me cair só. Só como nunca estive, ausente de mim mesma, sombreada pelo meu corpo, meu mesmo corpo.

Não sei onde, como, quando, em que ocasião nem se sequer encontrarei nova razão para passar a presente, desligar do ausente e viver por fim.


Mais importante que tudo, não conheço Vida para além desta que me deixou...

Espero por algo, mas não sei bem pelo que é suposto esperar...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Até à meta

O sol encandeava-me a vista e preocupava seriamente o meu subconsciente. Estava meio perdido na arena recheada de tantos outros como eu, envolto numa nuvem colorida imensa e vasta salpicada de pontinhos pretos. Apenas tinha certeza de que o que via e descrevia naquele momento não era totalmente fiável e certo.

Ouvi o meu número (o número colado à camisola que vestia), enquanto me escorria uma gota "nojentérrima" e salgada de suor pela face esquerda abaixo que me foi embelezar o ombro por acção da força gravítica.

Uns vultos também reagiram à chamada e acabaram por fazer mais ou menos o mesmo percurso, variando um pouco para a direita, para trás ou até mesmo diagonalmente.

Continuando com a pálida paisagem em volta, apenas se podia confiar no sentido mais racional e necessário naquele momento. A visão foi desqualificada por falta de comparência; o tacto era um sentido estupidamente utilizado, uma vez que não andaria de gatas a apalpar o asfalto; o paladar estava, naquele momento, um pouco adulterado com a sandes de atum inválido que comera ao pseudo-almoço; o olfacto era ligeiramente suspeito em tempo frio e "enranhosado"; só restava a audição que conseguia, minimamente e no meio do infernal ruído de fundo, orientar um sujeito.

Assim, ouviram-se quaisquer coisas balbuciadas entre dentes, seguindo-se um estalo que, supostamente, seria seco e estrondoso.

Ao sinal, todos os vultos perdidos ganharam vida intuitiva, tentando apenas não chocarem com o fantasma vizinho.

A esta altura, as etiquetas indicativas de cada um já só se seguravam por uma das extremidades quase coladas a cuspo; as gotículas de água salgada tornaram-se rios a metro; as mãos, pés e pernas adquiriram movimento centrífugo; e a meta tornou-se turvamente mais nítida.


Momento único, vencer e cortar a meta, mas a claridade do luminoso nosso astro impossibilitou qualquer observação de chegada.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

2010? 2011.

Foi um ano como os outros. 12 meses, dias com 24h, Inverno, Primavera, Verão, Outono, todos comemorámos aniversários, Carnaval, Páscoa, Natal.

É um pouco estúpido ser 2010 no dia 31 de Dezembro às 23:59.59 e 2011 a partir das 00:00.00. Mas ninguém se queixa e são feitas inúmeras festas, apanhadas "milhentas" bebedeiras, cometidas inconscientes loucuras. É o tal banal acontecimento (a passagem de um milésimo de segundo) que reúne corações, amizades, conhecimentos, copos, música, passas, desejos, planos... Tudo de maneira a concentrar um recheado ano num ponto abstracto de cada mente, analisá-lo, rever o que mais interessa, deitar fora o que não nos agrada.

Seria um acto consensual, se se utilizasse a recapitulação em proveito do crescimento pessoal - o que ninguém faz, apesar de muitos acharem que sim.


Que sejam aproveitadas as loucas noites e madrugadas, que se festejem as conquistas alcançadas, que se sorriam as felicidades, que se acarinhem as tristezas, que seja a vida muito amada...

Criem projectos para 2011, ponham-nos em prática e sejam muito bem sucedidos.

Um beijinho meu, um óptimo novo ciclo para todos. :)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O som...

O som que entra e revibra em mim, a melodia que me embala e hipnotiza, a letra que desabafa e sussurra...

Magnífica esta de Dave Matthews... Obrigada pelo pleno conforto...